Maíra Cardi revela alergia grave da filha Eloáh: o que é APLV?

Juliana Pires 0

Quando Maíra Cardi, influenciadora digital, compartilhou a imagem de sua filha Eloáh, de apenas cinco meses, com a pele irritada e em sofrimento, muitos pais sentiram um frio na espinha. O diagnóstico inicial foi de Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV), uma condição imunológica comum, mas assustadora, em bebês. Mas há mais detalhes nessa história que vão além do rótulo clássico.

O caso de Eloáh ganhou destaque nas redes sociais após Maíra descrever um episódio intenso de urticária. "Sábado ela piorou muito, ficou em carne viva", relatou a mãe, deixando claro o impacto emocional e físico sobre a família. No entanto, ao contrário do que se esperava inicialmente, o quadro evoluiu para algo mais complexo, envolvendo não apenas o leite de vaca, mas também outras proteínas alimentares.

A virada no diagnóstico: não era só o leite

Aqui está a parte complicada. Maíra explicou que ela mesma não consumia produtos derivados de vaca, já que Eloáh estava em aleitamento materno exclusivo. Se a mãe não come, como o bebê reage? É aí que entra a nuance médica. Após consultar uma nutricionista especializada — que passou por situação similar —, o espectro das alergias de Eloáh foi ampliado.

"Todo mundo tava dizendo que era alergia ao leite de vaca. Só que eu não consumo nada de vaca... A gente fez o teste de alergia e a nutricionista disse que ela tem alergia ao milho", contou Maíra. Além do milho, a soja também entrou na lista de alimentos proibidos. Isso mostra que o sistema imunológico do bebê pode estar reagindo a múltiplos antígenos, não apenas à caseína ou beta-lactoglobulina presentes no leite bovino.

Entendendo a APLV: mito vs. realidade

Muitas pessoas confundem APLV com intolerância à lactose. Elas são coisas completamente diferentes. A intolerância à lactose é uma dificuldade digestiva (falta de enzima), enquanto a APLV é uma reação imunológica agressiva. O corpo do bebê identifica as proteínas do leite como invasoras perigosas e ataca.

Segundo Maria da Glória Neiva, chefe do serviço de pediatria do Hospital Vitória, em São Paulo, a forma mais frequente em bebês dessa idade é a não mediada por IgE. "Em um bebê de 5 meses, o mais frequente é a forma não IgE mediada, com manifestações digestivas e comportamentais", explica a especialista. Isso significa que os sintomas podem demorar horas ou dias para aparecer, tornando difícil identificar a causa exata sem um acompanhamento rigoroso.

  • Sintomas comuns: Urticária, diarreia (às vezes com sangue), vômito, constipação e perda de peso.
  • Causa raiz: Imaturidade do sistema imunológico intestinal.
  • Transmissão: Proteínas podem passar do sangue da mãe para o leite materno.
O tratamento exige precisão cirúrgica

O tratamento exige precisão cirúrgica

O tratamento não é simplesmente trocar o leite. Para bebês amamentados exclusivamente, como Eloáh, a recomendação padrão seria a retirada total dos derivados de leite da dieta materna. Mas, no caso de Eloáh, a abordagem foi mais restritiva devido às alergias cruzadas confirmadas (soja e milho).

Se o bebê usasse fórmula, seriam necessárias fórmulas extensamente hidrolisadas ou baseadas em aminoácidos — leites onde as proteínas são quebradas em pedaços tão pequenos que o sistema imune não reconhece como ameaça. O exemplo da filha de MC Guimê, Yarin, ilustra bem esse protocolo: a mãe removeu os derivados e a bebê começou uma fórmula de aminoácidos, resultando em melhora clínica rápida.

O erro mais comum, alerta a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), é substituir o leite materno por fórmulas isentas de lactose. Isso não resolve a alergia à proteína e pode prejudicar o desenvolvimento da criança. "O acompanhamento com o pediatra assistente é fundamental para acompanhar o crescimento, desenvolvimento e ganho ponderal", reforça Maria da Glória Neiva.

Prognóstico: há luz no fim do túnel?

Prognóstico: há luz no fim do túnel?

A boa notícia para os pais é que a APLV geralmente não é vitalícia. Estatísticas indicam que 50% das crianças desenvolvem tolerância até o primeiro ano de vida. Aos três anos, esse número sobe para 75%, e aos cinco anos, mais de 90% dos afetados conseguem reintroduzir o leite na dieta sem problemas.

No entanto, o processo de reintrodução deve ser supervisionado. Não se trata de dar um gole de leite e ver o que acontece. São testes de tolerância programados, feitos sob observação médica, para garantir segurança. Enquanto isso, a vigilância dos pais continua essencial. Qualquer alteração na pele, no comportamento ou nos hábitos intestinais deve ser sinalizada imediatamente.

Perguntas Frequentes

A mãe precisa parar de tomar leite se o bebê tiver APLV?

Sim, na maioria dos casos de aleitamento materno exclusivo. As proteínas do leite de vaca podem passar do sangue da mãe para o leite materno, desencadeando a reação alérgica no bebê. A eliminação completa dos derivados é o primeiro passo do tratamento, conforme recomendado por especialistas como Maria da Glória Neiva.

Qual a diferença entre APLV e intolerância à lactose?

São condições distintas. A intolerância à lactose é uma dificuldade digestiva causada pela falta da enzima lactase. Já a APLV é uma resposta imunológica onde o corpo ataca as proteínas do leite (caseína e beta-lactoglobulina). Um bebê pode ter APLV sem ser intolerante à lactose, e vice-versa.

O bebê Eloáh tem alergia apenas ao leite de vaca?

Não. Embora o diagnóstico inicial fosse focado no leite de vaca, exames posteriores revelaram que Eloáh também possui alergia à soja e ao milho. Isso expandiu a lista de alimentos restritos na dieta da mãe e no planejamento alimentar futuro da criança.

A alergia ao leite de vaca desaparece com o tempo?

Na maioria dos casos, sim. Cerca de 50% das crianças desenvolvem tolerância até o primeiro ano de vida. Aos três anos, 75% estão livres da alergia, e aos cinco anos, mais de 90% conseguem consumir leite normalmente. Apenas cerca de 10% mantêm a alergia por toda a vida.

Quais são os principais sintomas da APLV em bebês?

Os sintomas variam, mas incluem urticária (como visto no caso de Eloáh), diarreia (possivelmente com sangue), vômitos, constipação severa, perda de peso e irritabilidade. Em alguns casos, podem haver sintomas respiratórios que confundem com gripe. O diagnóstico clínico é feito pelo pediatra através da história médica e exclusão dietética.